sensações
semicerro sinais
são ciclos que sei
e os sabendo os cicio
sussurros de cios
serenos, sensuais
sinistra sequência
sem sexo cerzido
ou sexto sentido
que salve silêncios
simples solfejo
sibilina sonata
salpicos sofridos
sem sabor a sal
.................OU SEJA, UMA CONCORDÂNCIA IDEOLÓGICA....................................................................................................
semicerro sinais
são ciclos que sei
e os sabendo os cicio
sussurros de cios
serenos, sensuais
sinistra sequência
sem sexo cerzido
ou sexto sentido
que salve silêncios
simples solfejo
sibilina sonata
salpicos sofridos
sem sabor a sal
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mjm
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cadernos:
conceptual
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habita-me o hábito
da tua ausência
inscrito em fragmentos
mal aprumados de indiferença
Amo, logo insisto
repego pedaços
soltos ao acaso
sem acaso que convença
Amo logo, insisto!
desenho de cor
revendo esboços
da tua presença
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mjm
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coordenada(s)
pedes possíveis e respondo infinitos
ofertas lições e escrevo canções
pego sempre no que a ti te sobeja
não conheço a soberba nem sei a inveja
embora te veja planando num espaço
finito de amor, enleado em clamor
carente de abraços que somem pedaços
que tragam justiça além da cobiça
que dêem sentido ao que trazes nos braços
triste a sorte de quem perdeu o norte
a façanha maior de se ser o herói
da sua rua, pequena e tão escura,
que qualquer lampião fundido seria
tocha ardente, candeia de gente
mas medes os passos não pelo que sentes
por isso te auguram, almejam, asseguram:
a imagem perfeita da solidão futura!
também sei, porém, que te é indiferente
seguram-te estacas de ideias baratas
lealdade, a corrente; mas nunca evidente
perdido em abismos relevas avisos
não vá o futuro unir-se ao presente
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mjm
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Lentamente se pressente
A náusea da suspensão
Réstias quentes, derradeiras
Desse teu lado, as primeiras
Últimas, na minha aflição
Sereno s’instala o outono
Calor em pleno abandono
Em gesta de redenção
Deste meu canto poente
Se sente abrir a nascente
Alvorada em tua mão
Arrumam-se sol e maresia
Cai a noite mais vazia...
Tolda-se o céu de verão
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mjm
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Na língua existe um mundo
de palavras
em estio e cio
ou negras e obscuras
- gosto de as testar
e saber maduras.
Aglutinam imagens
que sugerem viagens
redondas ou pontiagudas
traçam tangentes
de sensações
- plenas permutas.
Na minha língua
descansam pedaços
de outras línguas
- estilhaços engastados
que se transmudam.
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Para lá do que há se mostra o que é
O que é se esforça por parecer
No que há, detrito se apresenta
Descansa na espera de vir a poder
Ser visto para lá do ser
E ser o que parecer não pode
A imagem que se resolve
Projectada sem muro haver
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mjm
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condenados
a um espaço
a um tempo
de alma encastrada
num corpo prisão
lancinamos gritos
projectamo-nos
aflitos
como a maré cheia
que não cabe no leito
e se evade
veloz
a encharcar o esporão
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mjm
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Que novidade trazer te poderei?
Tudo o que vi, ouvi, toquei
Já outro alguém te contou!
Resguardo a proeza de te surpreender diferente
Que te enrolo em novo espanto
E te mostro a semente
Da rubra árvore que ninguém ainda ousou
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mjm
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sobram as mãos
que não poisam fácil
e se enovelam em nervosas melodias
enlaçam, sossegam, apontam vazias
o espaço impregnado da tua ausência
desenham trajectos
plenos de impotência
rasgam na pele extrema
sem projectos
carícias novas
de mãos vazias se enchem as horas
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mjm
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Solta-se o diabo em mim
Que também o tenho
Encarcerado, indefinido, amordaçado
Anjo caído, felino ferido e açaimado
A lembrar-me de nós por todo o lado
Evade-se o desejo e corre
De mim para ti
De ti para mim
Querubim bailando encapuzado
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cadernos:
do desejo
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hoje
só queria falar de coisas
boas
para isso
tinha que referir pessoas
mas
desaprendi como o fazer
pois as pessoas
para falar
não precisam de pessoas
bastam-lhes coisas
ainda que sejam
menos boas
e
só de coisas
não me apetecia falar
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mjm
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Morre-se, pois!
Na hora dos mal-amados
No bulício desenfreado
Das bocas na dobra dos braços
Que dizem não ser capaz
E mais
No grito que escapa
Que ensurdece na escarpa
Quando ecoa e ribomba
E desvia o norte à pomba
E faz do homem rapaz
Morre-se, pois!
A meio do caminho
Trocando amor por carinho
Com medo do nunca mais
E mais
Na fuga já sem retorno
No nó anichado no estômago
Que priva de saborear
As policromias de amar
Morre-se, pois!
E revive-se sem vontade
Sabendo com toda a verdade
Que o chamamento é maior
Ainda que fosse melhor
Deixar o barco ancorado
E mais
Soltam-se amarras do cais
Sempre e Nunca?
Nunca mais!
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Tão fácil falsear escrevendo
Limar arestas, escancarar a fresta
E retocar na metáfora a evidência do que não presta!
Conspurcam as palavras só de as usar!
Arquitectos de sons, copistas de imagens
Todos falidos de esperança
Carregam fardos de inconstância
Embelezam ideias que não têm
E pensam que as palavras se sustêm
Sem caroço!? Torçam o pescoço!
Depois, há o carpir com carpideiras
Ensopar de mágoas as ideias
E servi-las em baixelas contrastadas
Fingindo que não são fanadas
E que até brilham fundidas
Sejam breves, ou compridas!
Que o importante é a catarse
Do que jorra sem parar!
E se o poeta se catasse?
Quem o mandou pôr-se a falar?!
Aos mudos não sobram gestos
E aos cegos se poupam excessos!
E eu divago; não digo nada
Fingindo-me amofinada!...
Quero lá saber da verve
Do que não se diz quando se escreve!
Quando se abre a boca e não sai nada
Está o universo, duma assentada,
A rir-se de nós, pobre rima inacabada...
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mjm
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Conheço-te por detrás do rosto
Não te impacientes!
És feito de sorrisos genuínos
E de mansas mágoas
Que se agigantam e rebentam ferozes
Enleadas em limos e lavadas pelas águas!
A acalmia revela o destroço
E devolve à praia o rosto
Tisnado de sol e curtido de sal
Reconheço-me nesses traços
Por isso te abro os braços
E te embalo
E te dou colo
E até me enrolo
Porque sei o que me falta
Porque gosto de quem me abraça
Sem mo pedir, sem mo cobrar
O sorriso que escondes é transparente
Não preciso ser vidente
P’ra descortinar o que te faz bem e o que te faz mal!
É tudo tão simples, afinal...
Quem dá apenas o que lhe sobra
Esconde o tesouro e só dá esmola
E eu de ti só quero o igual!
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mjm
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Maresia insuportável
Quando me faltas!
Bordeja em franja
O desejo de infinito
E solto o grito
Na raia do absurdo.
Fico imóvel e não luto.
Deixo-te entrar...
Se não me mexer consigo tudo!
Demoro-me na espera
Que o porvir não se altera
Das marés é próprio o ir e o voltar
Aquieta-se o espaço e
Não se engana a gaivota
Que bem conhece a cadência do mar...
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mjm
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