.................OU SEJA, UMA CONCORDÂNCIA IDEOLÓGICA....................................................................................................

Mostrar mensagens com a etiqueta do desejo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta do desejo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, junho 19, 2008

a tua luz


sempre a noite
a amplificar
pois que lhe é fácil
enunciar em luares os lábios nus
os teus
os teus que os meus sonham
roubados
não falam
antes calam desejos
alados que me percorrem
por todos os lados
enluarados de beijos
a inventar
luares distantes
crus

sempre a noite
a encharcar-me o pensamento
de ti
que te trago alucinado
de lua - um raio
que penduro no tecto
do meu silêncio

o firmamento
luar de sentimento
derrama a tua luz
em mim

sexta-feira, maio 30, 2008

ser poeta


sai o verbo das gramáticas
quando lido
e ganha novos sentidos
como quando
destes dedos
a vontade se desprende
e a verbo rende
esbaforidos
cada um e todos
os mais recônditos sentidos
frase a frase
letra a letra
sem ponto ou vírgula que submeta
limite ou pausa
e ensaie sôfrego
o impulso solto
de pela escrita o escravizar
a uma vontade incontrolada
de ser palavra
a correr louca
pára se alcança o orgasmo
o espasmo
de ser poema em tua boca

quarta-feira, maio 14, 2008

desejo suave


experimento a barbárie
de um desejo suave
há nele uma superioridade
de dedos supérfluos

se a escrita desliza fica por conta própria
qual líquido escorrendo
a desaguar na memória dos dias

no mais
é sempre a morte a repetir-se
a incendiar as cinzas
ao espólio do pensamento

sexta-feira, maio 02, 2008

in.satisfação


| desafio duas impossibilidades:
despertar a tua fantasia ou adormecer a minha
| mjm


como se todas as cordas vibrassem
em uníssono
o mesmo silêncio. esgaça-se a mão
que o tange.
         a tua boca
a tua boca
timbra o som de todas as linguagens
que de longe te trouxe. são as mesmas
que nunca conheceste. o indivisível
plural.
             | as primeiras
de entre as mesmas. se repetidas são
inaudíveis reverberam. |
     evoca nome nenhum. nenhum nome toca
a emoção denunciada.
inominável segue.
             | o silêncio é o encontro de quem se acha. |
pingam palavras, da tua boca
     da tua boca
         o suco inevitável. ainda assim
nenhuma sede significando sede
será saciada.
             | sobre essa boca. esta outra
boca há-de ecoar numa linguagem
inusitada. |


quarta-feira, abril 30, 2008

O segredo dos dias


No redemoinho da roda
dos dias. Sem o teu olhar
definharia. Por isso me dependuro dos segredos
que tecemos. A cada dia.
Se as almas se desmanchassem
- diz-me tu – em que taças as recolheríamos?
Nas dos olhos com que vemos
por dentro
os dias que fantasiamos – dirias -. A taça
cheia. De nós connosco dentro. Dos olhos.
Com que nos vemos
a inventar dias felizes.
No redemoinho dos olhos. A cada dia.
Tecemos almas
dependuradas nos segredos
dos dias. Felizes.

segunda-feira, abril 07, 2008

Imagino almofadas


E eu, que tanto falo,
quando te falo acabo por te dizer tão pouco!...
Sempre uma prestação em atraso,
entrecalada, entrecortada, entretelada a prumo naquilo que uma-rapariga-tem-que-ser…
             Não sejas assim, rapariga! Uma menina há-de um dia ser senhora, e uma senhora há-de ser feminina!
                        Há-de ser feminina. Há-de ser feminina.
     Se tivesse acatado o ensinamento só bordava agora raminhos miosótis em tons pastel no teu lençol de sonho. Não saberias nadinha das minhas pernas entrelaçadas no monograma da almofada; só o que uma-rapariga-tem-que-ser a estragar-te a imaginação.

Visto-me em alma e ninguém me reconhece.

Falo pelo peito,
falo, falo, mas quando é a ti que falo acabo por te dizer tão pouco!...
     Deve ser deste meu corpo enroscado nas palavras, miosótis, ponto pé de flor de amor, nada que uma-rapariga-tem-que-ser possa na outra entender.
                         Há-de ser feminina. Há-de ser feminina.
Trago doridas, pesadas, as pernas de tão enroscadas.
     Imagino almofadas.      Imagino almofadas.

o querer


no inverso
meço o meu verso
e impeço
nexo
sexo
; o amplexo
; o excesso
de amar

no complexo e sinuoso
processo
reescrevo

ouso
ou esqueço
o medo de me entregar

terça-feira, abril 01, 2008

caligrafia


| Sonho contigo porque a noite é uma lente que magnifica as emoções.
Mas então, porque persiste este sabor a ti,
se acordei há tanto tempo?
| mjm



só o desejo
aperfeiçoa
a caligrafia do beijo
e o meu corpo boca
anseia escrever
pela tua boca corpo
até corpo boca
não serem palavras escritas
até meu teu
se tornarem ilegíveis

quinta-feira, setembro 07, 2006

Suspensão


exalar significados
pelos olhos
tê-los fechados
sucedendo-se as paisagens
só rente aos lábios
intocar-lhes
os âmagos dilatados
suspender os sentidos
retardá-los

terça-feira, maio 16, 2006

caindo lentamente


eu moldo a almofada ao sonho
de cada noite
          sem nada mais
preparar que da cama
a tua parte
          depois o amor
se encarrega do sono
da tal morte daquilo que parte
o despojo do corpo largado e inerte
                 livre
          de mim sem planos
                        ca
                        indo
                        lent
                        am
                        ente
no poço que mede muitos homens teus
          até que luza à tona a claridade

terça-feira, abril 04, 2006

Na rede


Essa daqui, menino,
tem uma pele que só pede trópico,
uma sede de cachoeira e pés de areia,
cabelos na rede ao luar…

O pensamento
acoitado por vontades bárbaras
açoitado pelo pugilato de amores apáras
e no peito
a sem-vergonha do querer a inflar…

quinta-feira, dezembro 29, 2005

chegarás um dia atrasado

chegarás um dia atrasado
pensei dizer-to enquanto ainda podia
é assim até com o passado
ainda que esteja mesmo aqui ao lado
está tão longe como quando te sorria
não lamentes
são assim insipientes
os acasos que se arrastam em correntes
e o amor amor
é um jogo que se perde sem batalha
um dia chispa em chamas
noutro fenece sem razão que o valha
vale a pena de o lembrar sem pena válida
descrevê-lo é tirá-lo de um contorno
se assim definha amor o amor é abandono
e eu amo assim sem fim pensado
- ah a imensidão da gente
que se crê pertença se consola e se agasalha
com tão fraco sol de pão migalha -
mas eu trago esta fome nos dentes
nem agora nem antes vesti verdades
de enfeitar frases em poemas
a vida quero-a nua sem metades
do amor não mais apenas penas
chegarás um dia atrasado
por ti amor esperei ciente
dei-me inteira dei-te inteiro o meu presente
de ti amor guardo grata o meu passado

quarta-feira, dezembro 08, 2004

de caminho,


de caminho,
deixa-me dizer-te
que me sinto ampla de pele
restaura-se o poro
de caminho,
deixa-me dizer-te
que as mãos que sentes abertas
não se fecham
inflamam o tacto
de caminho,
deixa-me dizer-te
que persigo o verão de sol sincero
pois que os caminhos
que me deixas que te diga
de caminho,
levam sempre
ao infinito de outros caminhos
encharcados de sol
plenos de abraços
e tactos
e verões
por onde eu caminho
de caminho,
apenas tu esbarras
na opacidade dos silêncios
deixa-me que te diga

segunda-feira, novembro 29, 2004

Sinuosos


que farei contigo?
que farei de nós?

sinuosos carinhos
- mil caminhos!
por dentro de poemas escondidos
pó de luas,
sob as mãos, abertas
as minhas nas tuas

sinuosos caminhos
- mil carinhos!
persigo a aventura de um raio de lua
sob os olhos, fechados
os meus nos teus

que farei comigo?
que será de nós?

sexta-feira, novembro 26, 2004

Acústica II


se te digo
amo-te
fica a verdade inacabada
pareço operativa de desejos
quando basta
no eco gutural
dos gemidos que me arrancas
conseguires ouvir-me
amo-te
e reverberar
no táctil cingir das ancas

Acústica


Não!
Não queria tectos fechados
Nem abóbadas

Queria o meu verso livre
a viajar por ti – só sentimento!
Queria emancipado o pensamento!

Sem o ricochete fraudulento
que devolve
compridas e pastosas
as palavras limpas
do meu poema sem rigor de rosas

segunda-feira, novembro 22, 2004

Indistante


A fazer esquina com os sentidos
A dar sentido a todas as esquinas
A aglutinar o inabraçável
Tu!
À distância de um toque num sonho indistante
O meu instante de romeira de abraços
A pendurar sentidos nas minhas esquinas de pregos flácidos
Eu!
Sem sentido que dê sentido ao exacto
A engolir sonhos dum trago
Que o sentido com sentido não faz sentido
E o consentido é regurgitar actos inexactos
Tu?
Derramado no sonho indistante
No meu instante de abraços

sábado, novembro 20, 2004

O desejo de ti


Se te desejo
sem ter sede
é porque
não é à sede que desejo.
Ter sede é um desejo
de água – inadiável.
E eu não tenho sede
(mas te desejo).
Se te desejo
sem ter sede
e
não és água inadiável
que sede é esta
que não é sede
de beber água inadiável?

O desejo de ti – invariável.

quarta-feira, agosto 25, 2004

Desejo

Solta-se o diabo em mim
Que também o tenho
Encarcerado, indefinido, amordaçado
Anjo caído, felino ferido e açaimado
A lembrar-me de nós por todo o lado

Evade-se o desejo e corre
De mim para ti
De ti para mim
Querubim bailando encapuzado

terça-feira, março 30, 2004

Whirlpool


Apoderou-se de mim um frenesim de - Mais! Quero mais!
Um pulo para a frente, logo outro para trás.
Movimento. Rotação. Espiral.
Sinto germinar um novo momento.
Começou a fermentar.
É a vida, sem pedir licença, a teimar entrar.
Cumpre-se a teoria do tempo;
O eterno retorno em movimento.
A rotação a gerar espirais de – Mais! Quero mais!
Bacanal dos sentidos sem pudor
Momento para reamar o amor
Redescobrir o bem de iluminar. Vem, me acende!
Me leva e me traz!
Tentação da vertigem, arrepio de 40 graus
Ritmos num tropel de carnaval
E a alma que grita – Não faz mal! Não faz mal!
Respiração suspensa no dilema
Lábios na avidez do beijo penitente
Na premência do abraço urgente
Caminhar desesperada e nua
Em refluxo de fantasias exóticas
No trópico da alucinação
Sovada pela estridência dos gritos de gaivotas.
Se as almas se encerrassem no limite dos corpos
Como poderia demorar a minha mão numa tua curva, a mais bonita?
Como poderia derramar-me sobre ti, na acalmia que sucede ao torpor?
Aplacar-te pelo peso do etéreo
Alma perlada de suor
Soterrada pela magnitude do efémero?

Estava sozinha e na cabeça só ouvia sirenes;
não havia nenhuma a tocar, mas é o medo que nos faz inventar alertas
É questão de permitir o desejo de desejar
Custa-me o gesto de escorraçar o dilema
Sopram-me ao ouvido memórias do que é sofrer
Fiquei presa no gesto já esquecido
De deixar o êxtase escorrer.