olhar para trás
Não estavam já ali. Talvez
a ausência
os tivesse chamado para outros lugares
para outros pomares. Talvez
a memória
essa arrecadação de polpas
do paraíso
os tenha atraído à maçã primordial.
.................OU SEJA, UMA CONCORDÂNCIA IDEOLÓGICA....................................................................................................
Não estavam já ali. Talvez
a ausência
os tivesse chamado para outros lugares
para outros pomares. Talvez
a memória
essa arrecadação de polpas
do paraíso
os tenha atraído à maçã primordial.
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mjm
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cadernos:
da ausência,
inflexões
0
coordenada(s)
Não. Não me vejas só
por mim. Nem só. De mim
um crânio sobrará. E ossos. Como
os que quando escrevo
vou quebrando. O crânio
por duro
inteiro se observará
não tanto quanto só quebrando
o escrevo. Não. Nem só.
Deste ser que escreve nem um só
osso eu conheço. Mas sinto-lhe a carne
e quebro-me quando
a cada frase escrita
se solta um osso. O crânio
me dita ao doer nele a ossada
de cada palavra mais ousada.
No mais
estou só. Em mim sem corpo.
Na escrita entrecruzada.
escrito por
mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
da escrita
0
coordenada(s)
não sei porque não se escreve a luz
que cada um emana
se cada indelével
raio
única assinatura
traz nos caracteres inscrita
a criatura
(porque se impressiona
no papel memória
o panning da amargura?)
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mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
da escrita,
inflexões,
substância
0
coordenada(s)
Faz hoje
não sei quanto tempo que
alguma coisa aconteceu
para lembrar. Com certeza. Alguma coisa que
devia estar a comemorar.
Não me lembro.
Dei comigo a medir
quanto disto de
me comemorar. E não me lembro.
Mas sei que faz hoje
não sei quanto tempo.
Com certeza. De alguma coisa
disto. De qualquer coisa que
me mede no tempo.
Quanto mais me aproximo
insisto. Não me lembro. Roubo tempo
ao tempo e persisto. Tem que haver
algo a comemorar!
Rememoro o tempo
onde existo. Não me lembro. Um momento. Perdi
a marca ao lugar.
Com certeza. De mim há tempo
com tempo por vir. Devagar.
De muito de mim
hoje disto. E não me lembro. Redemoro
no tempo
a passar. Com certeza. Faz hoje
não sei quanto tempo que
o tempo era tempo a marcar.
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mjm
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cadernos:
da ausência,
da ironia,
inflexões
0
coordenada(s)
Pensei ter-te já dito o que sabia
Terei tão-só sentido; dito o refrão
Pois se o amor se sente – então, fervia!
Dizê-lo não sabe, nunca, o coração
Se já dizê-lo sabe é porque algures
História se tornou e a mente o conta
Se língua houvesse nele – bem que a procures!
Lográ-lo-ia assim de ponta a ponta
Ter siso era nem se questionar
Sentir; não sentir – apenas ser-se
Porém, não pára a mente de girar
“Como seria?”; “Será isto pertencer-se?”
Se hoje aqui retorno na eterna dúvida
Se falar sabe, se mente ainda com a mente
O amor perdi e a história me esconjura
A falar de memória – pois já não sente…
***
Irónico é o ponto em que a verdade
Tenta encontrar na vida e na saudade
Resposta que equilibre o desatino
Quando se é jovem, tem-se sempre pressa
Quando se é velho, nada disso interessa
- Cativos a intentar contra o destino!
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mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
do dizer,
inflexões
0
coordenada(s)
| Espalmo o pensamento contra a vidraça
Uma estrela faria toda a diferença |
estar por dentro e olhar pra fora;
olhar o dentro no de fora;
como se o dentro do de fora
fora por fora o que falta dentro;
esperar por dentro que o de fora
venha pra dentro - nem que fora
só por um laivo de momento.
_________
(inspirado por este poema da Márcia Maia)
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mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
inflexões,
substância
4
coordenada(s)
a partir chegaste .
perdurando . lento . lento .
algo assim .
fiquei nesse momento . que durou .
dura . ficou pra mim .
partir . não é tormento .
chegar . sem ficar . no fundo
nem é partir .
entendo-o . esse momento .
foi chegar . mas pelo fim .
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mjm
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cadernos:
da ausência,
da posse
1 coordenada(s)
A tua ausência
não me cabe num poema
Dizer-ta aqui sem pele onde a escrever
era amar-te inteiro como inteiro existes adverso
ao verso do existir por dentro apenas
Não sei de presença
que mais me doa que calar o que em mim fala
pelas entranhas onde circulas adverso
Inverso a tudo a que do amor entendas
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mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
do amor
0
coordenada(s)
exalar significados
pelos olhos
tê-los fechados
sucedendo-se as paisagens
só rente aos lábios
intocar-lhes
os âmagos dilatados
suspender os sentidos
retardá-los
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mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
do desejo
0
coordenada(s)
para que os jasmins
me contassem do sol
de hoje que perdi
voltei à noite
esse lugar
de encontros solitários
de mel nos lábios
e os cheiros todos
imaginários
da ausência de ti
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mjm
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cadernos:
da ausência,
substância
0
coordenada(s)
são
traços sem luz
os que desenham
poemas
à espera
que o brilho
dos teus olhos
lhes definam
as formas
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mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
da escrita,
substância
0
coordenada(s)
E pedes
que sonhe - mais do que já faço
no correr das horas -
Que as sinta paradas
noutra dimensão - talvez
perto do olhar -
Que sorria sempre
revirando os sonhos noutras almofadas
Aquelas que encostam
sorriso a sorriso - boca a boca -
amar
E pedes
que descanse - nem sei bem de quê
nem em qual das horas -
Que me desdobre
alongada nelas sem as contar
Contando
vou enleando nelas o cansaço afora
Redobrado - agora - o prazer
se nelas me alongo
a esperar
__________
valsa cantabile, ofertada à Marta Mateus dos O'QueStrada
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mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
inflexões,
performativo
0
coordenada(s)
são sempre tuas
as minhas insónias
como tuas as mãos
se me acercam
magnólias
livre me tenho - cativa
da tua posse
se me visita
que minha não é - tanto
quanto nada é
meu - só tua ser
se minha não sou
quando - de mim
me roubas
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mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
da posse
0
coordenada(s)
chega aqui
depressa
fica aqui
ficando
como sempre estás
mesmo não chamando
fica aqui
sem pressa
voltarás para dentro
de algum pensamento
que urdi
amando
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mjm
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01:00
cadernos:
da ausência
0
coordenada(s)
chegarás um dia atrasado
pensei dizer-to enquanto ainda podia
é assim até com o passado
ainda que esteja mesmo aqui ao lado
está tão longe como quando te sorria
não lamentes
são assim insipientes
os acasos que se arrastam em correntes
e o amor amor
é um jogo que se perde sem batalha
um dia chispa em chamas
noutro fenece sem razão que o valha
vale a pena de o lembrar sem pena válida
descrevê-lo é tirá-lo de um contorno
se assim definha amor o amor é abandono
e eu amo assim sem fim pensado
- ah a imensidão da gente
que se crê pertença se consola e se agasalha
com tão fraco sol de pão migalha -
mas eu trago esta fome nos dentes
nem agora nem antes vesti verdades
de enfeitar frases em poemas
a vida quero-a nua sem metades
do amor não mais apenas penas
chegarás um dia atrasado
por ti amor esperei ciente
dei-me inteira dei-te inteiro o meu presente
de ti amor guardo grata o meu passado
escrito por
mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
do amor,
do cansaço,
do desejo
0
coordenada(s)
trago nos olhos cansados
um pouco ainda de ti. é luz fraca
que refracta o hábito de te ter
por dentro. já sem cor debota em sombras.
o ardor morreu e as delongas são cataratas
que ficam mesmo que partas da retina
do olhar meu. soa a lamento e o retrata. mas ver-te
sem te ver por dentro é espectro é folha
que o vento embrulha no chão e se arrasta
se prende à sola ou se engasta num trilho
que se perdeu.
trago nos olhos cansados
um pouco ainda de ti. desfocagem
sempre alastra como rota que me afasta
se te olhar fora de mim.
escrito por
mjm
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01:00
cadernos:
da ausência,
do cansaço
0
coordenada(s)
A fazer esquina com os sentidos
A dar sentido a todas as esquinas
A aglutinar o inabraçável
Tu!
À distância de um toque num sonho indistante
O meu instante de romeira de abraços
A pendurar sentidos nas minhas esquinas de pregos flácidos
Eu!
Sem sentido que dê sentido ao exacto
A engolir sonhos dum trago
Que o sentido com sentido não faz sentido
E o consentido é regurgitar actos inexactos
Tu?
Derramado no sonho indistante
No meu instante de abraços
escrito por
mjm
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09:00
cadernos:
da ausência,
da posse,
do desejo
0
coordenada(s)