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terça-feira, junho 24, 2008

o artifício do fogo


Tudo o que vejo limítrofe ao meu canto
só prolonga a escuridão.
E eu queria queimar os olhos
com surpresas.
Emagreço os contrários
para equilibrar os invernos
e as chuvas que caem só pontualmente me molham.
[
O que vou escrevendo
sempre antecede os últimos pensamentos
]
Volto. Volto por método
dois passos à frente de onde me perdi.
Sei de um lugar
onde brotam malmequeres espontâneos
que se colam, gavinhando, à verticalidade
com que escrevo a vida.
[
Legitimo a urgência
: queria
queimar os olhos com surpresas
]


Conservo intacta a taça onde me embriago.
[
A sede é uma simplificação que o corpo inventa
]

terça-feira, maio 27, 2008

clonagem


a geografia humana será mapeada

________ incartografável ________

[
(o homem)
saiu de si
( ~ abandonando-se ~ )

a nenhum sítio pertence
lugar algum o reclama

( \ avulsamente polinizado )
]

até que o sal
( ~ das lágrimas ~ )
a seque

quinta-feira, maio 08, 2008

a minha rua


há uma fiada de muros ao longo da minha rua
por onde os gatos caminham. de vez em quando
um hiato de portão. uma sebe
bem cortada espigada por flores teimosas.
um som de porta de carro
bate no silêncio e distrai-me os cotovelos
do parapeito da janela. o moderador da minha atenção
segue a fiada de muros ao longo da minha rua
e integra o hiato de um portão. um som de porta de casa
ecoa a batida anterior no silêncio e distrai-me dos cotovelos.
há uma fiada de parapeitos ao longo da minha sebe
bem cortada de gatos que caminham por flores teimosas.
a minha rua é uma janela espigada por onde
caminham os meus pensamentos porque
há um lar de vez em quando onde os gatos se detêm.

sexta-feira, maio 02, 2008

in.satisfação


| desafio duas impossibilidades:
despertar a tua fantasia ou adormecer a minha
| mjm


como se todas as cordas vibrassem
em uníssono
o mesmo silêncio. esgaça-se a mão
que o tange.
         a tua boca
a tua boca
timbra o som de todas as linguagens
que de longe te trouxe. são as mesmas
que nunca conheceste. o indivisível
plural.
             | as primeiras
de entre as mesmas. se repetidas são
inaudíveis reverberam. |
     evoca nome nenhum. nenhum nome toca
a emoção denunciada.
inominável segue.
             | o silêncio é o encontro de quem se acha. |
pingam palavras, da tua boca
     da tua boca
         o suco inevitável. ainda assim
nenhuma sede significando sede
será saciada.
             | sobre essa boca. esta outra
boca há-de ecoar numa linguagem
inusitada. |


segunda-feira, abril 07, 2008

Imagino almofadas


E eu, que tanto falo,
quando te falo acabo por te dizer tão pouco!...
Sempre uma prestação em atraso,
entrecalada, entrecortada, entretelada a prumo naquilo que uma-rapariga-tem-que-ser…
             Não sejas assim, rapariga! Uma menina há-de um dia ser senhora, e uma senhora há-de ser feminina!
                        Há-de ser feminina. Há-de ser feminina.
     Se tivesse acatado o ensinamento só bordava agora raminhos miosótis em tons pastel no teu lençol de sonho. Não saberias nadinha das minhas pernas entrelaçadas no monograma da almofada; só o que uma-rapariga-tem-que-ser a estragar-te a imaginação.

Visto-me em alma e ninguém me reconhece.

Falo pelo peito,
falo, falo, mas quando é a ti que falo acabo por te dizer tão pouco!...
     Deve ser deste meu corpo enroscado nas palavras, miosótis, ponto pé de flor de amor, nada que uma-rapariga-tem-que-ser possa na outra entender.
                         Há-de ser feminina. Há-de ser feminina.
Trago doridas, pesadas, as pernas de tão enroscadas.
     Imagino almofadas.      Imagino almofadas.

sábado, agosto 26, 2006

Construções


Começou pelo fim feito deserto máximo
Fechou-se no seu quarto feito eremita rústico
E a cada dedilhada na guitarra acústica
O som embrionário se escondia opiácio
Vibrando entre dedos de ossos vetustos
Como se a eternidade fosse feita de plástico
E o seu desejo vário variasse em mono
Cercou-se de instrumentos de derrame inválido
Sorrisos comprimidos em dádivas últimas
Como se o seu destino fosse ser seu hóspede
Nasceu de mil bocados em alicerces torpes
A voz bem recolhida em colcheias de barro
Na música aflorando pedaços de escrita
A pele a vibrar sons sem nexo de consolo
Retornando ao embrião que gera sonhos cálidos
Caíu na encruzilhada dos desejos bárbaros
O amor era o corsário desses desejos vários

Começou pelo fim feito derrame inválido
Fechou-se no seu quarto feito um opiácio
E a cada dedilhada na guitarra de barro
O som embrionário se escondia cálido
Vibrando entre dedos de ossos acústicos
Como se a eternidade fosse feita de dádivas
E o seu desejo vário variasse em sonhos
Cercou-se de instrumentos eremitas rústicos
Sorrisos comprimidos em dádivas torpes
Como se o embrião gerasse sonhos bárbaros
Nasceu de mil bocados em alicerces plásticos
A voz bem recolhida em desertos últimos
Na música aflorando pedaços de mono
A pele a vibrar sons sem nenhum nexo máximo
Retornando ao embrião que gera corsários
Caíu na encruzilhada dos desejos vários
O amor era uma espécie de consolo hóspede

______
(contraponto ao Construção, Chico Buarque)

quinta-feira, julho 20, 2006

A ecoar na garganta da arriba


Que importa o cais
        - se tu não vens -
Se os barcos
        - que me navega? -
São papéis . O sal dos dias
Espera o sol que o seque
        - eu espero a brisa quente que me derrete -
        - a pele na pele do tempo -
Ser apenas líquido elemento
Uma onda, um bicho
        - um nome ao vento -
Sovada maresia num tropel
        - ser nada de importante -
        - nenhum instante -
E toda a eternidade condensada
        - aquele grão de areia -
        - o quase nada que erode lentamente -
Na decisão eternamente adiada
Soltar a jangada? Prender o batel?

Na clareira
        - o pó da estrada -
Acende o céu uma lua apagada
Crepúsculo que medeia dois limites de tempo
        - resíduo de firmamento -
Mescla imperceptivelmente
O rastro de um momento
        - um fio interligando a dimensão errada -
        - a ténue intercepção de terra e nada -

sexta-feira, junho 02, 2006

Dar igual não sei


Como fazer
para no confronto da reciprocidade
recolher o espasmo
para não devolver humanidade?
Louca serei
isso eu sei
Carregar num saco atado a atrocidade
tanto desamor imposto
pela vulgar tarefa correcta da paridade!


Dar igual não sei
ao que é igual recebo e calo.
Darei
por certo estranhamente tanto
que é ralo o que parece
Pois fá-lo-ei no maquinal gesto
e erro o excesso só
para mim
Que sei dar igual
ao que igual quero
E dentro
definha inglório o manifesto
Que dar de mim
daria grata e sem protesto.

sexta-feira, maio 26, 2006

E pedes


E pedes
que sonhe - mais do que já faço
no correr das horas -
Que as sinta paradas
noutra dimensão - talvez
perto do olhar -
Que sorria sempre
revirando os sonhos noutras almofadas
Aquelas que encostam
sorriso a sorriso - boca a boca -
amar
E pedes
que descanse - nem sei bem de quê
nem em qual das horas -
Que me desdobre
alongada nelas sem as contar
Contando
vou enleando nelas o cansaço afora
Redobrado - agora - o prazer
se nelas me alongo
a esperar


__________
valsa cantabile, ofertada à Marta Mateus dos O'QueStrada

quinta-feira, maio 18, 2006

lúdico iludo


semi
       pan
multi
       rés
ultra
       micro
ciclo
       socio
viés

signo.solto.ante.cipando.psico.morfo.logias
= castro o casto sopro = lúdico iludo =

sábado, abril 01, 2006

contigo


contigo aqui
na ponta dos dedos
- como quem diz no extremo de mim -
é longe suficiente
para nos sabermos ao pé
juntos é o contigo mais sincero
- nunca o em mim -
ainda que em nós o outro seja outro
e ao outro queiramos mesmo
tantos somos em nós
quantos tantos são outros no outro
que em nós descabemos
assim se dá que no outro outros achemos
de nós - de mim e de ti -
e de nós em nós - tantos outros de nós outros -
que de nós nos perdemos
somente juntos seremos os mesmos
sem outros outros querermos

contigo aqui
na ponta dos dedos
- como quem diz no extremo de mim -
pensei-te outro e não a ti
assim se trai a razão nos enredos
se em mim estás se te penso e não estás
estarás outro de ti em mim outra - a dos medos
e não aquele outro tu está aqui

terça-feira, julho 12, 2005

A historiografar


(monólogos da memória)

Não me lembro já
- Quando foi que me esqueci?
Deixei-te
(Lembro agora)
Parado
No sítio onde te perdi
...
(Devia ter-me agitado.
O semblante carregado)
Foi então que apercebi
- Onde foi que me perdi?
...
Ah!
Tentava buscar-te
(A lembrar de me lembrar)
Mas fui escolher ao acaso
O vazio do teu lugar
...
(Sem querer, ficou gravado.
O vazio no meu olhar)



(monólogos da memória)

Olha,
vinha trazer-te verdades e retraí-me.
Mostro apenas o gesto que me ficou parado nos lábios.
Lê comigo. A expressão que não conheces
Também a não sei explicar. Lê-a
Conta-me o que vires.
Olha,
se me vires dentro desse gesto
Diz-me que regresse.
Tenho saudades de mim.
Cansada de andar encolhida a dizer
Nada.
Fazes-me falta.
Precisava saber-me em ti.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Ogiva


Nos teus brados minha casa
Pináculo gótico que me eleva do pântano
E me molda os lábios em ogiva de espanto

Lá fora o mundo
Inquieto
Não percebe que nos desenhos de um louco
Germina a semente da nova forma
Bastião que aloja a história
Do átomo em revolução

Os meandros quotidianos
Inibem todos os planos
Só não se goram projectos
Que não tenham ar de infectos
Desviante é adentrar as arestas de um quadrado
Espartilhar correntes num filão aprumado
Como quem por decreto cronometra a evasão

Por isso
Escolher o gume das facas
Colher apenas bravatas
Desafiar a gravidade que empurra até a razão
- Que amor fazer sem ousar
Se perder, sequer se achar? -
Geometrias simétricas
Assustam-se face às arestas
E a vida é fio de navalha que só celebra rasgão

domingo, dezembro 26, 2004

sente


sente o que de novo sinto
indecente e rubra sem carmins postiços
sem mentiras airosas
que só adornam prosas

sente as faces amplas
e os dentes brancos a trincar os frutos
sem a infestação regulamentar de conservantes

alguns sons ainda se alongam
em pestilências
temem espalmar-se vazios
num fundo espesso que rescende amores
: mas são ecos mortos

sente a maresia dos portos
a flor do sal
vem ser batel
que trago ilesas
as velas que navegam corpos

sente e consente em mim
os cálculos inatos
multiplica-me anseios à volta dos seios
que o traçado do voo é ocasional
: vertigem improvisada que nasce por bem
nunca se despenha no mal

sente a transgressão do hábito
que embala o pêndulo suspenso do tempo
nem por um momento
se aquiete a mão no movimento
: renascer é fundamental

sábado, dezembro 11, 2004

Exortação


Vamos fingir
Fazer de conta
Que o nosso bocado de tecto
Tem frescos magníficos sem marcas de insecto

Vamos ampliar
As abóbadas do céu da boca
E ecoar espasmos lindos de deixar a voz rouca

Façamos a sério
Tudo o que encerra ganas, virtude e mistério
Sem filigranas de gestos barrocos com vício de tédio

Já sabemos
Agonizar sem espantos
Que o ócio é negócio judeu sem retorno
E o tempo urge se se sente sem dono

Façamos amor amando
Em excessos de arte
Até ao enfarte
Que desperdiço tempo se o momento não for amar-te

sexta-feira, dezembro 10, 2004

Capitular


Espalhar-me à toa
Sem precisar os poisos.
Que me importam os cais
Se o mar me chama?
Ficar aos poucos
Sem inflar as velas
Na modorra morna?
Agonizante exílio
Que asfixia os poros!
Melhor que soçobre
Em infames voos
Que jazer tranquilo
Entre os vivos-mortos!

quarta-feira, dezembro 08, 2004

de caminho,


de caminho,
deixa-me dizer-te
que me sinto ampla de pele
restaura-se o poro
de caminho,
deixa-me dizer-te
que as mãos que sentes abertas
não se fecham
inflamam o tacto
de caminho,
deixa-me dizer-te
que persigo o verão de sol sincero
pois que os caminhos
que me deixas que te diga
de caminho,
levam sempre
ao infinito de outros caminhos
encharcados de sol
plenos de abraços
e tactos
e verões
por onde eu caminho
de caminho,
apenas tu esbarras
na opacidade dos silêncios
deixa-me que te diga

sábado, novembro 13, 2004

atitude


pendurar
uma luz desnecessária de modo a ver-se
um tecto
num plano a norte
quando o que rasga o horizonte é
latitude?

buscar
o sol!
não esperar que nos encontre

nem que a rotação subverta
o movimento
projectando o recorte das próprias costas

cinturar
o eixo
ao pensamento é amestrá-lo e proibir
a pérola
à areia nas ostras