Clivagem
não adianta atiçar vulcões
deitar sal na carne crua
cortar os pulsos à palavra
- até a verdade sangrar -
sem olhos sem orelhas
pardacenta ou mutilada
alguma biografia inacabada
acabará por se clivar
.................OU SEJA, UMA CONCORDÂNCIA IDEOLÓGICA....................................................................................................
não adianta atiçar vulcões
deitar sal na carne crua
cortar os pulsos à palavra
- até a verdade sangrar -
sem olhos sem orelhas
pardacenta ou mutilada
alguma biografia inacabada
acabará por se clivar
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mjm
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coordenada(s)
policiaremos a construção de oásis
só perfilar cachos de tâmaras
abocanhar o sol
e cuspir esculturas de areia
até que a sede se consuma
concêntrica na miragem
nenhum desejo de água encanada
por dentro da terra a língua
encarnada
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mjm
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coordenada(s)
como não imigrar palavras
se estrangeiro é teu corpo
aqui, se o não acho
como não verter escarlate
se incolor é o abraço
aqui, se o não acho
rios e estradas e árvores e astros
suspensos no espaço
e um universo submerso
aqui, se o não acho
como não fantasiar amando
se a realidade se move andando
aqui, se a não acho
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mjm
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coordenada(s)
contorce-te agonizando
e suporta a indiferença
que não há força que desmantele
a antiga crença
serás monstro num circo itinerante
que em nenhum instante penses
estar o mundo preparado
que a tolerância não convence
não percas a tua marca
prossegue nessa demanda
e traz o ardor, sem dor, a flama
dos teus versos pertinentes
que a forma transgride a norma
mas é tua e nova a chama
que traz inteiras, se as derramas
as palavras mais urgentes
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mjm
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quando as mãos não tocam
chamam-se fim de braço
quando a um braço se encosta um corpo
chama-se a esse braço cadeira
quando uma asa de pássaro não escreve nos lábios sorriso
boca é uma parte do rosto que se chama boca
de pouco serve a poesia que se explica
porque a poesia não serve; renomeia
observe-se se o falador
se cala ou se fala a dor de outra maneira
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mjm
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só os gemidos Do Corpo nos acordam
e adivinham cisnes aqui perto
que o Saber de nada serve neste infinito
breve e inteiro
em que as garras da abundância nos devoram
em que os cristais brilham sem ter lume
rasos de água
levitam poços no deserto
só a palavra
pode inventar O Silêncio Provisório
dentro do búzio
o mar é vocábulo que se equivoca
e o verbo é boca
a trepar rente à planície do lúcido
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senta-te aqui
na eira larga do meu peito
e descansa o fardo
o mundo nem te sente
se te fizeres ausente
e as minhas mãos
precisam dos teus cabelos
para serem gente
descansa a fala
nos meus lábios
traz-me as searas aparadas
pelos teus passos rentes
os outros nadas
são universos
limitados
pela sucessão das nossas alvoradas
quentes
sentes?
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mjm
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mostro-te as veias
no limite das palavras
sem trajecto de falas.
dizer nada
fazer nada
para que tudo saibas.
arar caminhos
sem frases padronizadas.
ver-te chegar
sem afluente de verdades
estereotipadas.
o teu olhar é o morfema
que traz caladas
as mentiras de outros dias
que não cabem
na arquitectura singular
destas palavras.
as veias rotas
as mãos rasgadas
mínimo gesto e convocas enxurradas.
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Lembras-te
Do quanto foste amado?
Sossega, corpo enciumado.
Devolve aos leitos desfeitos do passado
As margens do brilho que desenhaste
Nas ilhas das pupilas de outros olhos.
O que te deita não é fotogénico.
Que o desejo tem tantos planos
Que desafia a sinusóide.
Quem te olha e te devora
Não rouba a essência nem se demora.
Leva da pele apenas ardor.
Que o amor
Quando desarvora
Projecta na tela o leito sem dor.
A urgência é de afecto
Sem filme sintético
E sem marcar a hora
Para gravar o amor.
A reprise a sobrar é o sobrar da flor.
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mjm
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.
Não há poesia.
.
Não há ponte.
.
Nem estrela a querer ser onda.
.
Nem sintaxe que me devolva.
.
Dentro não tem litoral.
.
Não há céu.
.
Nem temporal.
.
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mjm
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Experimento
nada dizer.
Talvez assim
o brilho não fira
a ave seja só bicho
e o mar uma tina de água.
Todas as coisas
aquietadas.
Só coisas
geometrizadas.
Nem um fonema
por mim perpasse.
E eu
descanse.
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mjm
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Chega de saudade!
Melancolia nunca foi arte
Nem reza ilesa. Tristeza.
Se a semente não se parte
Fende-se a terra em vão
Ara-se o peito em sulcos líquidos
E as rosas partem em barcos
Deixando em cacos o chão.
Que siga, então!
Que mulher de marinheiro
Não se agaste o tempo inteiro
Cosendo a sombra na sombra
E largue de vez o esporão!
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mjm
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coordenada(s)
pronto.
sentarei as palavras
mudas. não falem.
se as habitam sombras
esbatam seus contornos.
se os rios amansam
que sosseguem vagas
sejam ilhas de ombros
para pássaros frágeis.
pronto.
sentarei as palavras
mudas. não falem.
se as habitam luzes
destaquem-se as formas.
se a terra empregam
endurece o magma
anoitece um ciclo
silencie-se a alma.
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não me impeçam
de dilatar
se forma for
de policromar
se o momento for cor
não me viciem
preso num gesto
que eu parto o gesso
e escorro espesso
o líquido desfazedor
as orlas que a espuma
timbra bordos na areia
não são fronteira
mas palafitas na bruma
que se
o caminho se faz caminhando
é partindo e chegando
e é isso que eu sou
foi aqui que cheguei
mas é ali que eu estou
*
(Migrações que, de Leste, aqui aportaram e que hoje comemoram.
Os meus bons votos!)
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mjm
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larguei as penas
sem pena
para te acolher.
não chegavas.
inquietei-me.
mais tarde percebi
que já estavas.
nem senti que enquanto
esperava
te tinha trazido agarrado.
era o passado.
- engraçado! -
tão bem dissimulado
colado no meu presente.
larguei as penas
sem pena.
aquietei-me.
fiz-te ausente.
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