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sábado, julho 29, 2006

As pontes do amor


Ah!
Poder chamar-te a mim
Sem medo algum de perder-te…
Repaginava os dias
Lambendo as pontas dos dedos
Ah!
O tempo
O dos beijos suaves
Aquele em que fomos milagres
Susteve-nos a meio da ponte

(...)

Soubeste que a tinham alargado?
Sim! Ruíu-lhe uma trave de lado
Chamaram peritos, houve inquérito a aflitos
O tal do processo foi analisado
Nas pontes, parar, avaria os sensores!
Imagina: engenheiros, técnicos; todos dotores
Não consideraram que houvesse amores
Nas pontes, sem fim destinado…

(...)

Se há pontes, amor, transitemos
Parados no amor viajemos
A ponte do amor é maior
Se no sonho do amor, meu amor,
Não tivermos parado

segunda-feira, julho 24, 2006

De que é feita a madrugada?


De que é feita a madrugada?
De alvorada, se a acendem astros
Sem mais nada
Se o sono a esconde apsisionada
Naquela morte descansada
Envolta em luas adormecidas.
Porém se os olhos
Se abrem em feridas
Colando os dias a tantas noites sucessivas…
Crivá-la ousasse; corrigi-la pudesse
Má e drogada - assim seria -
Decepava-a pela palavra!
Assim o cepo se transformasse
Em testemunha ensanguentada
Clamando a justiça que não nasce
Nessa morte executada ao irromper do dia.

quinta-feira, julho 20, 2006

A ecoar na garganta da arriba


Que importa o cais
        - se tu não vens -
Se os barcos
        - que me navega? -
São papéis . O sal dos dias
Espera o sol que o seque
        - eu espero a brisa quente que me derrete -
        - a pele na pele do tempo -
Ser apenas líquido elemento
Uma onda, um bicho
        - um nome ao vento -
Sovada maresia num tropel
        - ser nada de importante -
        - nenhum instante -
E toda a eternidade condensada
        - aquele grão de areia -
        - o quase nada que erode lentamente -
Na decisão eternamente adiada
Soltar a jangada? Prender o batel?

Na clareira
        - o pó da estrada -
Acende o céu uma lua apagada
Crepúsculo que medeia dois limites de tempo
        - resíduo de firmamento -
Mescla imperceptivelmente
O rastro de um momento
        - um fio interligando a dimensão errada -
        - a ténue intercepção de terra e nada -

quarta-feira, junho 21, 2006

flores de vidro


se a memória
história acende
a enunciação é decrescente
ainda assim
sarando sulcos de navalha
volta o rubor
mil cuidados vestem a mão
que colhe e espalha
as flores de vidro do amor

[
escolher contar-te
os meus dias
seria dar-te um inventário. uma
morada. e não me encontras
no passado. estreio contigo. palavras. galopo os silêncios
entre elas. que nas ausências habito.
ter medo
é conhecer. a repetição
dos dias.

apenas escrevo
o volátil movimento dos dedos.
]

terça-feira, junho 20, 2006

lugar solitário


para que os jasmins
me contassem do sol
de hoje que perdi
voltei à noite
esse lugar
de encontros solitários
de mel nos lábios
e os cheiros todos
imaginários
da ausência de ti

segunda-feira, junho 12, 2006

espelhada


disseste
de um poema meu
a regra servir-lhe de alma
pensei - ousei, vê só! -
relancear por ele o esquadro
- e vi que estavas errado -
: a regra não era a alma
servir-lhe, nada a serve
muito menos um poema
- um poema que encarcere
doze cordas - sem dedilhar
o peito que lhe deu fado

dentro dele
presa não fui
escrevi-o - isso o confesso -
: dedilhando de mim pedaços
regrados dentro de um verso
a alma - a alma, atesto -
mirava-o pois que me sabe
espelhada
- mas no reverso

a regra que a tudo serve
serve-me a mim ao escrever
: estrutura no teu olhar
palavras, motes - rasar -
o dito por não dizer
se a melodia
te engana, parte a métrica
rouba a flama
à rima cega outro cego
segue o som - surdo, se a alma
não ouve chamar
quem o ama

segunda-feira, junho 05, 2006

desfragmentando imagens


reparo
que não me chegam as palavras
que as uso
enformadas
num padrão comum
para que me entendam
enquanto o faço
logro o tempo e o passo
pois que nem me digo
nem me entendem

então
de palavras
dispo-me
- engordei de imagens -
ágeis
crescem velozes
nada as prende
desenformam em algaraviadas
como extraviadas da mão que as rende

- assim vai meu pensamento -
desfragmentando imagens
à palavra em desmoronamento

domingo, junho 04, 2006

pés de lua


saem passos
detrás dos passos
de pés parados ao rés da rua
pés de lua
não caminham
voam
parados na mira
da pálpebra cerrada
pés e olhos
flutuam

sábado, junho 03, 2006

brilho


são
traços sem luz
os que desenham
poemas
à espera
que o brilho
dos teus olhos
lhes definam
as formas

sexta-feira, junho 02, 2006

Dar igual não sei


Como fazer
para no confronto da reciprocidade
recolher o espasmo
para não devolver humanidade?
Louca serei
isso eu sei
Carregar num saco atado a atrocidade
tanto desamor imposto
pela vulgar tarefa correcta da paridade!


Dar igual não sei
ao que é igual recebo e calo.
Darei
por certo estranhamente tanto
que é ralo o que parece
Pois fá-lo-ei no maquinal gesto
e erro o excesso só
para mim
Que sei dar igual
ao que igual quero
E dentro
definha inglório o manifesto
Que dar de mim
daria grata e sem protesto.

sexta-feira, maio 26, 2006

E pedes


E pedes
que sonhe - mais do que já faço
no correr das horas -
Que as sinta paradas
noutra dimensão - talvez
perto do olhar -
Que sorria sempre
revirando os sonhos noutras almofadas
Aquelas que encostam
sorriso a sorriso - boca a boca -
amar
E pedes
que descanse - nem sei bem de quê
nem em qual das horas -
Que me desdobre
alongada nelas sem as contar
Contando
vou enleando nelas o cansaço afora
Redobrado - agora - o prazer
se nelas me alongo
a esperar


__________
valsa cantabile, ofertada à Marta Mateus dos O'QueStrada

terça-feira, maio 23, 2006

ERROR


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gosto de ti
muito

muito de
ti gosto
ti muito
demito
gosto muito
de gosto
desgosto
muto
disco gasto
mútuo
de ti
muco
gis mito
monstro
mudo
de mim

error… error…
the system is about to be disconnected

quinta-feira, maio 18, 2006

lúdico iludo


semi
       pan
multi
       rés
ultra
       micro
ciclo
       socio
viés

signo.solto.ante.cipando.psico.morfo.logias
= castro o casto sopro = lúdico iludo =

terça-feira, maio 16, 2006

caindo lentamente


eu moldo a almofada ao sonho
de cada noite
          sem nada mais
preparar que da cama
a tua parte
          depois o amor
se encarrega do sono
da tal morte daquilo que parte
o despojo do corpo largado e inerte
                 livre
          de mim sem planos
                        ca
                        indo
                        lent
                        am
                        ente
no poço que mede muitos homens teus
          até que luza à tona a claridade

sexta-feira, maio 12, 2006

Agora


eventualmente retorno
à vida que suspendi por tédio, por destempo
em rés-migalha. quando se catam minutos
e se colam a um mostrador, rodam ponteiros
no sentido dos ponteiros mas nunca - nunca! -
no sentido do amor. a dor aprende-se
de cor, ajeita-se ao seio e suga, suga
o vazio, no tique ganho que gasta
até mesmo o que não há.
diverte-se aquele
para quem as horas são um jogo
de movimento, brincadeira entre ponteiros
que se encontram uma vez por hora.
o maior tapa o pequeno e lemos
hora-e-minutos mesmo quando
o braço grande é o que tapa o da hora…
pela vida fora, como se pára a ideia
se nunca pára o agora?