ciciando
sou
sem
sombra
sossega
.
.
.
serena
passo
célere
sem
sentires
.................OU SEJA, UMA CONCORDÂNCIA IDEOLÓGICA....................................................................................................
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Recebe
a flor fugaz como se essência e
adorna esses teus dias
os mais vulgares
Pois breve
dura o tempo da paixão
que funde o meu e o teu
no mesmo olhar
Porém, dessa paixão,
não fiquem laços
que inibam seres fiel
ao verbo amar
Atenta!
Efémero é o bemquerer
que exala dessa flor
que te vou dar
pois fenece, dura o tempo de a oferecer
se a malquerendo
o amor, a desmerecer
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Cristalino o dia
A estrear a cor
E eu antiga
Ainda
Sem saber onde recolher
O eco dos teus lábios nos meus lábios
Em ocaso e dor
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há um céu com
um que nos abriga míope bast
ante para nos de
cifrar sem sub
stância
só aí somos igu
ais : repetindo a viagem das ilusões
no traçado carnal
um gri
to : a chamar o am
or para dentro dos sen
tidos
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há esta imagem
constante
de noites e noites
que se alongam pelos dias
exaustas
adormecem
esperam
que a luz descreva
o percurso
da tua chegada
sob cada pálpebra
uma lua
apagada
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[Talvez uma rima resolva os diálogos adormecidos. Talvez nessa métrica caibam certas detonações e até outras mais explosões do verbo. Uma rima improvável é quanto peço às palavras sem que as amasse com má pontuação. Ir pelos sons até ao pavilhão onde se transmutam emoções rente a instalações de imagens soltas. Desobrigar tempo e espaço e recriar a nova fronteira num livre acesso onde se adivinham harmónicos de uma voz engenhosa roçando a pele da língua. Talvez uma rima caótica, imprevisível e extensa, refracte a cor branca da cadência de um morfema e percorra infinitamente o espectro rupestre da palavra primeira e se alcance o verbo.]
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Visita-te, ateu.
Mesmo que desconheças os desígnios
de uma fé sem corpo. Hás-de ter algum foco
que possa incidir sobre a imagem de um deus sem tamanho.
Farás bem de teu deus, acredita.
Faz-te falta, sim, amar em sossego distanciado dos
apegos que te cobram os afectos de cartilha. Assim,
não desperdiçarás os beijos, ó avaro de ternura! Sonha
sem remorso; dá-te as asas que invejas nas falas
dos outros. Se dormes tranquilo, achas que isso é sono?
Estás morto! E na romaria dos mortos a vida é um halo a enfeitar
de serpentinas uma árvore de natal. Parece-te mal?!
Guarda nos bolsos as migalhas que agora espalhas sem gula
que a fome enjeita a fartura, canalha! A centelha que acendes não tem
óleo que a faça durar? Inventa-a! E perfuma-a. Se um fio de cheiro
te perpassar as narinas, terás conseguido incorporar
o teu deus, ó ateu dos domingos sem manhã! As escrituras que procuras
estão nas dobras do lençol. Por isso, dorme.
Se te visitares, presenteia-te e diz-te que os bilhetes na porta do frigorífico
não fazem de ti um ser vivo. Peleia! Que não há só maré cheia e
nem sempre o sol activa os ponteiros com que adornaste a lage do
teu jardim; bem podes esperar sentado o pôr do sol do meio dia.
Decresce a prece que te prometeram e que não se cumpriu? Ah ah ah
pobre de ti, que acumulas esperanças sem teres usado por mérito
as primeiras que te cabiam. Lambe os beiços, indigente da sorte!
Espera e não mudes, ó escroque! Esconde-te ou salva-te, mas aproveita
o bocado que te foi reservado e oferece-o sem baba a um pobre.
Ah! E persigna-te perante a morte
quando acabares de joelhos sem que antes tenhas ouvido soar o toque da partida.
Assim é que não, criatura; a isso não se chama vida!
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Queres ser o quê
De mim, que mal me sei?
Na base da nuca tenho uma estátua esculpida
Por mãos de saber tão pouco
Queres ser o quê
De mim, que mal existo?
Sujo o silêncio quando ensaio palavras
Agrestes para quem nada entende de devastação
E já nem morro porque mais não posso
Sabem-me bem as tuas mãos quando me traçam rectos os ombros
Mas isso é ser de mim o quê?
Esquadro que me projecta hirta entre a multidão dos homens pardos
Que fugiriam da ambiguidade das sombras
Não queiras de mim ser nada
Deixa-me anonimamente encostada à ombreira da porta
Que os escombros acabarão por derruir as estruturas mal desenhadas
E os ombros descairão flácidos dessa mesma posição
Tudo se renova excepto o nada de nada
E só és sombra entrelaçada no traçado do meu chão
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Já tenho as mãos rasgadas
Pendulando entre palavras
(Não me vistas mais nada
Sou intempérie e sol com peixes)
O sem sentido é o mote
Pois a sorte é um oásis
Onde chovem lágrimas
E mãos costuradas esbanjam tâmaras
Em bocas saciadas
A alquimia do beijo é sonho nómada
O amor, involuntário
E a vida é de quem despe o desejo sedentário
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Se houvesse um tipo de felicidade
que se pudesse dizer
sem se perder tão depressa
ao ponto em que perdê-la
não tivesse qualquer importância…
A felicidade
quando importa dói.
Quase tanto quanto a impotência
de a querer dizer presente
e só se ler distância.
Retida numa mão a guardo enquanto
a outra espreita
a ocasião da troca pelo vazio abstracto
da verosimilhança.
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eu via
as ondas a polir as pedras
numa intercepção não consentida
transformar sons em edema
enquanto a lenta linguagem geológica
estridente e dolorida
se arremessava contra as ondas
vivazes
porém tão surdas
quanto eu cega a vê-las
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Deviam ensinar-nos o nomadismo
da água. Sabes, a água não tem casa;
só caminho. A água perde pedaços, quando desenforma
dos leitos. Há um não sei quê de clandestino e
inato que a água teima em transportar, mas que
não vemos. A nossa água toda liquefaz-se aprisionada
na casa do corpo. Faz puxar ao corpo um
outro corpo; um corpo leito. Sedentariza
nas veias, depois; e nós sem vermos. Tem que haver
muitos olhos de água no amor; a água nómada
a escorrer-nos sobre o peito. A água nómada a nascer-
-nos sob o peito.
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há coisas
que são para ler de noite.
há coisas
que sendo noite não podem ser lidas. ou
há coisas
que só a noite deixa ler.
há coisas
que lidas de dia não têm noite.
há coisas
da noite dos dias. ou
há coisas
que são noite todos os dias.
há noites
que fazem coisas assim.
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Mandei restaurar
O meu anjo da guarda
Quando o fui buscar
Reluzia
Aproveitou
Um momento meu de
Distracção
E escapou
À minha vigília
Vaidoso
Se humanizou
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