Amor sujeito
Amor sujeito.
Encosto-te
À esquina
Da palavra
E nela
Me deito.
De que outro jeito?
.................OU SEJA, UMA CONCORDÂNCIA IDEOLÓGICA....................................................................................................
Amor sujeito.
Encosto-te
À esquina
Da palavra
E nela
Me deito.
De que outro jeito?
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mjm
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coordenada(s)
Conta-me histórias
Quero ouvir palavras novas.
Pode ser antiga e pura
Quero daquelas que perduram
Sem nexo ou linear
mas agora.
Que enovele ou distenda
Que regenere ou surpreenda
Daquelas que só deslumbram
Pode ser recente e suja
mas agora.
E demora...
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coordenada(s)
Se reparares...
Um risco tosco mistura parcerias
Doce e amaro certo e errado
Ímpares pares
Reclamam a assimetria dos lugares
Se os reparares
Se a reparares
A cegueira é simétrica
Não vislumbra para lá da recta
Destapa o pudor de sobre os olhos
Os olhos sobre todos os lugares
Se reparares...
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coordenada(s)
O que sentes
É a presença
Esborratada
De outras bocas
Sobre as bocas
Nesta boca
Derramadas
Bocas novas
São a tua
Que conserva
Virgem prova
Que essas bocas
Nessa boca
Se renovam
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coordenada(s)
Mulher
Que sonha
Ser tomada
Quando toma
É a si que toma
No sonho
Do outro
Se transforma
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mjm
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coordenada(s)
E corta
E rasga
E parte
E corta
E rasga
E parte
Assim se faz a arte
E molda
E solda
E cola
E molda
E solda
E cola
Assim se faz a obra
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cadernos:
conceptual
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coordenada(s)
Devolvo-me à lembrança
Do que fui.
Pereço entristecida
Deitando as mãos à vida
Sem norte
Dando a sorte por vencida.
Recordo o diamante
A lapidar.
São vidas deslaçadas
Esperanças adiadas
Quimera
A dissolver-se devagar.
Fachada restaurada
A rigor.
Colunas reforçadas
Paredes escoradas
Palácio
Devoluto sem calor.
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coordenada(s)
sempre as palavras
escondidas nos gestos
cíclicos e pontuais
a encharcar incêndios
a propagar tempestades
a saltar do dorso de verdades
escancaradas ou veladas
intemporais
anseio sempre por palavras novas
espero a reinvenção da duração das horas
para que se dilate o tempo
se evada da cadeia do momento
e se sinta a urgência
de pintar murais
mas os silêncios
resistem à erosão vagarosa
lapidam-nos memórias
roubam-nos pedaços
mutilam-nos sem parcimónias
e as palavras encostam-se
rendidas e mal nutridas
às investidas das horas
salto desse dorso e peço
que me chegue novo alento
que não se canse o tempo
de arrancar e limpar palavras
de revalidar as mais usadas
de mas perfumar como magnólias
ah! que inodoras demoras!
se me acerco das palavras
e se ao tempo mais tempo rogo
é porque sei que assim morro!
abraça-me forte em socorro
dá-me do amor o soro
com que se contam novas histórias
protege-me, ó tempo
do atropelo insano
com que se tecem silêncios
pejados de más memórias
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alguém
desapareceu
definitivamente
nada disse
sua maior cobardia
corro as cortinas
metálicas
espero que chova
no silêncio
de palavra
muda Lisboa
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semicerro sinais
são ciclos que sei
e os sabendo os cicio
sussurros de cios
serenos, sensuais
sinistra sequência
sem sexo cerzido
ou sexto sentido
que salve silêncios
simples solfejo
sibilina sonata
salpicos sofridos
sem sabor a sal
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cadernos:
conceptual
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habita-me o hábito
da tua ausência
inscrito em fragmentos
mal aprumados de indiferença
Amo, logo insisto
repego pedaços
soltos ao acaso
sem acaso que convença
Amo logo, insisto!
desenho de cor
revendo esboços
da tua presença
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pedes possíveis e respondo infinitos
ofertas lições e escrevo canções
pego sempre no que a ti te sobeja
não conheço a soberba nem sei a inveja
embora te veja planando num espaço
finito de amor, enleado em clamor
carente de abraços que somem pedaços
que tragam justiça além da cobiça
que dêem sentido ao que trazes nos braços
triste a sorte de quem perdeu o norte
a façanha maior de se ser o herói
da sua rua, pequena e tão escura,
que qualquer lampião fundido seria
tocha ardente, candeia de gente
mas medes os passos não pelo que sentes
por isso te auguram, almejam, asseguram:
a imagem perfeita da solidão futura!
também sei, porém, que te é indiferente
seguram-te estacas de ideias baratas
lealdade, a corrente; mas nunca evidente
perdido em abismos relevas avisos
não vá o futuro unir-se ao presente
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Lentamente se pressente
A náusea da suspensão
Réstias quentes, derradeiras
Desse teu lado, as primeiras
Últimas, na minha aflição
Sereno s’instala o outono
Calor em pleno abandono
Em gesta de redenção
Deste meu canto poente
Se sente abrir a nascente
Alvorada em tua mão
Arrumam-se sol e maresia
Cai a noite mais vazia...
Tolda-se o céu de verão
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Na língua existe um mundo
de palavras
em estio e cio
ou negras e obscuras
- gosto de as testar
e saber maduras.
Aglutinam imagens
que sugerem viagens
redondas ou pontiagudas
traçam tangentes
de sensações
- plenas permutas.
Na minha língua
descansam pedaços
de outras línguas
- estilhaços engastados
que se transmudam.
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Para lá do que há se mostra o que é
O que é se esforça por parecer
No que há, detrito se apresenta
Descansa na espera de vir a poder
Ser visto para lá do ser
E ser o que parecer não pode
A imagem que se resolve
Projectada sem muro haver
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mjm
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